Violões, sinos, harmoniosas:
“Já morto neste solavanco,
Definhando-me os doces,
Os sentires, amores.
Sorte é quem tem
Fiel afago,
Pois em leito
Lembranças.
Passo.”
Não sei como começar isso, não sei nem o que começar a dizer para você tudo o que já foi dito, mas espero que entenda agora, isso já está além do meu controle. Eu realmente sonhei com você, realmente te quis, quis a sua alma, assim como dei a minha de livre e espontânea vontade, porém, não foi o suficiente para você não é? Ou melhor, foi até demais, não foi? Eu realmente te amo e realmente te amei, mas sofro como se minha chegada ao inferno tivesse sido antecipada pela sua simples ação de me dizer adeus primeiro. Sabe o que eu digo para você agora: “Adeus”. Um dia, tenha certeza, você amará alguém (e digo isso se referindo a uma vaga lembrança que você terá de nós) e sentira toda a dor que eu sinto nesse momento. Não sei se isso é uma previsão ou uma maldição que rogo sobre você, mas ainda quero que você saiba tudo o que fez. Muito além que as dores do corpo (como a cicatriz que você fez em meu pulso e a vontade de abri-la novamente) são as dores que você me fez sentir em minha alma, que agora, sempre estará marcada pela sua presença desconfortante e iluminadora. Todos os sentimentos que sentimos juntos foi apenas uma calmaria antes da tempestade que me sugaria para baixo do solo, e não diga que a culpa não foi sua. Tanto minha como sua é a culpa, mas agora, quem mais sofre não é você, pois quem amava mais não era você, e isso é o que te permiti seguir em frente e me deixar aqui nesse frio inverno sozinho. Você foi quem tinha trago o sol, e você o levou, me deixando apenas com um resquício de calor que ele tinha me dado. Agora? Agora eu procuro um aconchego nas lembranças que restaram, como quando estávamos em minha cama, abraçados e nos beijando e fora daquelas portas e janelas não havia mais mundo algum. Você se lembra disso? E não me diga que aquilo não foi real, pois eu só estive em seu coração em um breve momento de fúria, mas pude sentir parte da verdade quando fiz isso. Mas foi você quem quis, foi você quem quis quebrar o laço que nos uniu, e conseguiu, deixando apenas uma sobra, um fantasma ainda forte e denso que me prende a você e faz a dor cada vez penetrar mais no fundo de minha alma. Sabe o motivo de eu escrever apenas está carta antes do último ato sendo que poderia escrever para meus pais, meus avôs, meu irmão e meus amigos? O motivo de apenas escrever para você é a culpa e por que eu sempre escrevia somente por você tentando fazer você feliz com cada gesto, cada sorriso, mas volto a dizer que você não queria isso, você prefere estar longe e olhar de longe, em quanto poderia ter tudo perto de você. Cansei de derramar minhas lágrimas, e agora, irei derramar meu sangue para ver se encontro algum destino. Vá e escolha quem você quiser, use quem você quiser, mas um dia você irá lembrar, eu sei que irá lembrar, e se arrepender, pois não estarei mais aqui e em nenhum lugar pertencente aos vivos. Está vai ser a minha última carta, de quanto eu te odeio e de quanto eu te amo, e como ainda te amo.
Você aprende...
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é ince
rto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
Por William Shakespeare
